Entrevista
com a Frente Popular de Libertação da Palestina
Leia
a entrevista conduzida pela Ma'an Serviços de Imprensa em
17 de janeiro de 2009. A Frente Popular para a Libertação
da Palestina (PFLP) e seu braço armado (Brigadas de Abu Ali
Mustafa) participou ativamente da resistência à invasão
sionista. O partido político é um grupo marxista-leninista
e está empenhado na libertação do povo palestino,
fazendo enfrentamento ao imperialismo.
Ma'an: Qual é a posição da Frente
Popular sobre as razões para que Israel iniciou a maciça
carnificina em Gaza?
PFLP: Israel iniciou seu massacre e crimes de guerra
contra nosso povo em consonância com seu histórico
objetivo - uma tentativa de eliminar a resistência palestina,
particularmente em Gaza. Muito do que vimos no Líbano em
2006, foi feito com objetivos de separar a resistência do
povo e assegurar uma eliminação da resistência
e minar a causa palestina e nova retirada de direitos do nosso povo.
Os planos de Israel contra o nosso povo e nossos direitos só
podem ser implementados - além de que com a cumplicidade
dos EUA, dos regimes árabes e parte da "liderança
palestina" - com a eliminação da resistência.
Israel está aprendendo que, apesar da brutalidade e criminalidade,
suas práticas genocidas, muitas praticadas no Líbano
em 2006, nosso povo está firme e persiste com a resistência.
Seus ataques nunca derrotarão o povo ou a determinação
deste em defender seus direitos, o retorno, a autodeterminação
dos povos e a sua soberania.
Ma'an:
O verdadeiro objetivo das incursões de Israel, por
ar, terra e mar, é realmente atacar o Hamas e o lançamento
de foguetes?
PFLP:
Os mísseis [qassam] são simultaneamente uma prática
e uma representação simbólica da resistência
à ocupação. Eles são uma constante lembrança
que o ocupante é de fato uma ocupação e que,
independentemente dos cercos, massacres e muros, negando-nos os
mais básicos direitos à vida, nós vamos continuar
a resistir e continuar mantermos firmes nossas convicções
e não permitiremos que nos destruam. Enquanto um foguete
for lançado ao ocupante, nosso povo, nossa resistência
e nossa causa está viva.
Esta
é a razão pela qual eles atacam os foguetes - os foguetes
fazem o usurpador se sentir inseguro, pois é para todos,
um símbolo e ato físico da rejeição
à usurpação, aos seus massacres, aos seus crimes
e aos seus contínuos ataques ao povo. Cada foguete diz a
eles que não aceitaremos as chamada "soluções"
baseadas na revogação e negação de nossos
direitos.
Ma'an:
E sobre as próximas eleições parlamentares
que ocorrerão em Israel? Elas influenciaram na decisão
de atacar Gaza?
PFLP: Sim, isto está certamente relacionado
com as eleições israelenses - para ampliar a reputação
do Kadima [partido fundado por Ariel Sharon] e particularmente de
Livni e Barak [ministros israelenses], com o apoio do sangue de
mil palestinos assassinados. Este é um fator característico
e positivo nestas eleições, demonstrando a verdadeira
natureza de Israel e do Sionismo.
Ma'an:
Quantos membros da FPLP/Brigadas de Abu Ali Mustafa foram
mortos ou feridos durante a operação israelense?
PFLP:
Nós não divulgamos este tipo de estatística
ou informação uma que apenas serve aos interesse do
inimigo em seus ataques ao nosso povo. No entanto, basta dizer que
os membros estiveram papel ativo em todas as formas de resistência
contra os invasores e ocupantes.
Ma'an:
As brigadas participaram ativamente da resistência contra
o exército invasor?
PFLP:
As Brigadas de Abu Ali Mustafa tem constantemente lançado
múltiplos ataques diariamente e se diferencia particularmente
com o uso de bombas em estradas, carros bomba e outros artefatos
explosivos que destruíram ou danificaram seriamente tanques
e outros veículos das forças de ocupação.
Além disso, nossos membros participaram de todas as batalhas
em todos os níveis.
As
Brigadas está trabalhando em íntima coordenação
com todas as outras forças de resistência em uma luta
e confronto unificado da resistência contra os crimes e massacres
da ocupação.
Ma'an:
Em quais circunstância a FPLP concordaria com um cessar-fogo
com Israel?
PFLP:
Nos opomos com a chamada "calma" ou "cessar-fogo"
[de 19 de junho até 19 de dezembro de 2008] porque o vemos
como perigoso ao nosso povo e acreditamos que, ao fim, nossa análise
se provou correta.
Israel forçou um fim do "cessar-fogo" com seus
ataques e assassinatos - e então os usou como uma desculpa
para um ataque ao povo palestino [por exemplo, os ataques aéreos
de 5 de novembro de 2008 em que 5 militantes e um civil foram mortos].
Este cessar-fogo permitiu que um plano de ataque fosse desenvolvido
antes e durante o período.
A
resistência, de maneira unificada, sempre decidirá
quais táticas utilizar a cada momento. Nós demandamos
o fim dos massacres, fim da ocupação de nossas terras
e o total, imediato e incondicional fim do cerco, com abertura de
todas as passagens, particularmente em Rafah [fronteira com Egito].
Mas nós nunca consideraremos ceder nossos direitos fundamentais,
quer sejam, o direito de resistir, de defender nosso povo, de retornar
[às terras roubadas] e o direito à auto-determinação
e soberania, mesmo que sob o nome de um "cessar-fogo",
o que é o desejo de Israel.
Ma'an:
Qual a relação entre a FPLP e o Hamas hoje?
PFLP:
Nossa relação é hoje definida pela resistência.
Ma'an:
Mas a FPLP é um movimento secular, isto não cria dificuldades
de operar conjuntamente, uma vez que o Hamas acredita em uma sociedade
e governo islâmicos?
PFLP:
Ambos, FPLP e o Hamas, estão no campo da resistência,
no campo de luta em defesa de nosso povo, nossa causa e nossos direitos
fundamentais. Ambos rejeitam as chamadas "negociações",
rejeitam a cooperação com o ocupante e rejeitao as
chamadas soluções políticas baseadas na negação
e ab-rogação de direitos do nosso povo. Então
ambos estão unidos na resistência aos massacres e ao
genocídio que vem sendo cometidos contra o povo palestino.
Esta unidade, e este relacionamento, é o que importa agora.
Unidade na luta, no povo, na causa e em nossos direitos.
Ma'an:
Voltando à política, qual a posição
da FPLP em relação á legitimidade de Mahmoud
Abbas [presidente da Autoridade Nacional Palestina] cujo mandato
terminou oficilamente em 9 de janeiro [de 2009]?
PFLP:
A única legitimidade palestina reside na legitimidade da
resistência. Esta é a nossa definição
de unidade nacional - confrontar o ocupante e seus crimes contra
o povo e manter-se em defesa do povo e de seus direitos. A legitimidade
agora não é da "Autoridade Palestina", a
legitimidade é formada e permanece com a resistência,
com o nosso povo e contra os crimes do ocupante.
Ma'an:
A FPLP acredita que, em alguma circunstancia, os palestinos deveriam
se concentrar mais em Gaza e menos em política doméstica?
Ou o papel da política palestina é mais importante
do que única?
PFLP:
Este é um momento definitivo para o movimento nacional palestino
e a causa palestina, que enfrenta um inimigo que tenta destruir-nos.
A questão é para todos: estar com a resistência,
ou levantar-se ao lado daqueles que nos atacam e permitir que isto
continue. Cada pedaço de legitimidade política no
present e momento deriva da resposta para esta questão.
Ma'an:
Qual a situação da FPLP e outras organizações
de resistência na Cisjordânia?
PFLP:
A Cisjordânia também está em estado de sítio,
de um tipo diferente. O cerco da ocupação, com 11.000
prisioneiros políticos em Israel, com a constante confiscação
de terra, com a construção de mais assentamentos [de
judeus-israelenses] e a construção do muro de anexação
[um muro que vem cercando e separando os palestinos de suas terras]
e outros crimes que vem ocorrendo contra o povo. De fato, Israel
espera que o mundo volte seus olhos para Gaza, onde promove um massacre,
enquanto ignora-se mais roubo de terras e ataques na Cisjordânia.
Nós
não vamos permitir que nosso povo, seja na Cisjordânia
ou em Gaza, como na Palestina de 1948 [palestinos que vivem dentro
de Israel] ou aqueles no exílio sejam divididos.
Ma'an:
Vocês esperam que os palestinos fora de Gaza se revoltem contra
a ocupação, em especial diante das recentes atrocidades
cometidas?
PFLP: Nós somos uma nação, um povo
e uma causa. O plano do inimigo é destruir essa unidade e
fazer com que a resistência e sua dedicação
à liberdade e libertação de nossa terra sejam
destruídas. Nós vamos garantir a nossa vitória,
a unidade de nosso povo, a glória de nossa causa e libertação
de nossa terra.
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