Nos últimos anos, o Brasil tem vivido um ataque profundo aos trabalhadores, marcado pelo avanço da pejotização e do trabalho informal, impulsionado pela chamada reforma trabalhista.
A pejotização consiste no processo pelo qual uma empresa contrata trabalhadores como pessoas jurídicas (PJ), mesmo que a atividade desenvolvida apresente todas as características de um vínculo empregatício tradicional: subordinação, habitualidade, pessoalidade, exclusividade, contratos de longa duração e muitas vezes com escala e horários definidos. Essa prática visa essencialmente reduzir os custos com encargos trabalhistas — como férias, 13º salário, FGTS e INSS — e evitar responsabilidades com demissões.
Sob a propaganda de independência financeira, “empreendedorismo”, flexibilidade de horários e promessas enganosas de vantagens em relação ao trabalho formal, a pejotização tem aprofundado a precarização das relações de trabalho. Na prática, impõe aos trabalhadores uma falsa autonomia que os deixa desprotegidos em casos de doença, acidentes, maternidade, aposentadoria ou desemprego. Esse cenário se agrava com a realidade com inflação em alta, juros elevados e altos custos de vida.
Segundo dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD Contínua do IBGE, divulgados em 2025, cerca de 118 milhões de brasileiros – mais da metade da população — estão em situação de desemprego, subemprego ou na informalidade. Aproximadamente 74,7 milhões estão fora da força de trabalho ou desempregados de fato. Entre os mais de 100 milhões de pessoas ocupadas, cerca de 40 milhões trabalham de forma informal, sem qualquer vínculo ou proteção legal. A cada trimestre, cresce o número de trabalhadores sem registro em carteira, confirmando uma tendência de substituição do trabalho formal por formas mais precárias de ocupação.
Fundindo-se à pejotização, as famílias brasileiras têm cada vez mais recorrido ao crédito bancário, fazendo com que 80,5% das famílias que ganham até três salários mínimos se encontram endividadas, segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, de 2024. Tendencia que só aumenta sem os mínimos seguros sociais que eram garantidos pelo emprego formal.
Nesse contexto, a pejotização se apresenta como uma faceta da informalidade disfarçada de empreendedorismo individual, mas que, na realidade, expressa de forma concreta o servilismo, onde o trabalhador é jogado a sua própria sorte na crise do capitalismo burocrático na tentativa desenfreada desse sistema de exploração e opressão, buscar sua sobrevida, o que aumenta a concede renda nas mãos de cada vez menos pessoas.
Não à toa, a adoção desse modelo de contratação, vem sendo incentivada por grandes empresas e respaldada por reformas impostas pelo Banco Mundial e o FMI, visando mascarar deliberadamente a miséria a que são submetidas as massas populares, retirando-lhes direitos em nome da “eficiência” e da “flexibilidade”, através de planos de austeridade.

Diante disso, é urgente reconhecer a pejotização como um dos principais mecanismos de precarização do trabalho na atualidade, pois, coloca o trabalhador diretamente nas mãos de sanguessugas sem escrúpulos, que o submete a uma condição arcaica de trabalho, semifeudal, própria de um capitalismo burocrático (capitalismo engendrado de fora, que mantém o país coo semicolônia), que impulsiona o trabalho servil – em contradição com a carteira assinada do trabalhador, visando acabar com os já reduzidos direitos trabalhistas e a garantia desses se aposentarem, sob o discurso de “independência”, “empreendedorismo” e etc., cujo o objetivo é acabar com a Previdência Social e o Sistema Único de Saúde – SUS.
Para combater esses ataques contra o povo existe somente uma alternativa: a organização de forma independente e clandestina nos locais de trabalho, ou de moradia, unindo trabalhadores do campo e da cidade, trabalhadores formais e informais, de empresas privadas ou estatais e do funcionalismo público em torno da bandeira da Greve Geral de Resistência Nacional pra não só conter os sucessivos ataques dos governos de turno e exigir a revogação imediata das reformas trabalhistas e previdenciárias, realizadas em 2017 pelo reacionário governo Temer, aprofundada por Bolsonaro e mantida por esse governo de coalizão reacionária de Luiz Inácio que aliás se alçou novamente no poder, sob promessa de acabar com tais reformas, que só fez é aprofunda-las! Portanto, é tarefa de todos os lutadores classistas e democratas, mobilizarem as massas em torno da Greve Geral de Resistência Nacional.

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