Brasil: desemprego, informalidade, estatísticas e mentiras

A propaganda oficial do velho Estado burocrático brasileiro insiste em afirmar que o desemprego no Brasil está em queda e teria alcançado níveis historicamente baixos. Segundo dados divulgados pelo IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas a taxa de desemprego teria recuado para cerca de 5,1% no fim de 2025. Essa informação vem sendo repetida pelo governo de turno da frente oportunista da falsa “esquerda” do PT, pelo Banco Central e pelo monopólio de imprensa que se esforçam para vender a ideia de que a economia do País está “saudável” e o mercado de trabalho “aquecido”.
No entanto, essa narrativa não passa de uma estatística enganosa, montada para esconder a real situação do povo pobre e legitimar o aprofundamento de um sistema semifeudal e semicolonial que se reproduz por meio da supreexploração das massas trabalhadoras da cidade e do campo.
A metodologia do IBGE é parte central desse mecanismo de ocultação e falseamento da realidade social do país. O IBGE considera desempregados somente aqueles que não têm trabalho e não procuraram emprego nos últimos três meses e, portanto, por meio dessa metodologia milhões de brasileiros que desistiram de procurar emprego e sobrevivem na informalidade não entram nos dados oficiais como desempregados.
Para oculatar o alarmante número real do desemprego o IBGE utiliza da categoria de “ocupação”. Segundo esse critério falsificador da realidade e, portanto, anticientifico, a pessoa que tenha trabalhado pelo menos uma hora remunerada na semana de referência é classificada como “ocupada”. Isso significa que bicos ocasionais, trabalhos intermitentes, jornadas miseráveis e atividades completamente instáveis passam a inflar artificialmente os números do chamado “emprego”. Essa definição permite que a precarização extrema seja vendida como sucesso econômico.
No entanto, essa maquiagem estatística entra em choque com os próprios dados oficiais. O mesmo IBGE reconhece que cerca de 40 milhões de pessoas vivem na informalidade: sem carteira assinada, sem direitos trabalhistas, sem estabilidade e sem proteção social. Cinicamente, esse imenso contingente de trabalhadores submetidos a relacões de superexploração e ameaçados constantemente pela falta de trabalho são apresentados pela propaganda oficial governo e do velho estado como sinal de dinamismo da economia e “empreendedorismo”.

O desemprego real: números que o sistema tenta esconder

Dados do próprio IBGE contestam os resultados obtidos pela metodologia explicada acima. A Pesquisa Nacional por Amonstra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) revela que o desemprego real só pode ser compreendido quando se considera o total de pessoas sem trabalho. Esses dados mostram-nos dois grupos: o primeiro formado por 7,2 milhões de pessoas classificadas como desempregadas e o segundo, em que temos 66,7 milhões de pessoas enquadradas como fora da força de trabalho. Ou seja, esses dois grupos somados resultam em 73,9 milhões de pessoas sem trabalho no Brasil, o que equivale a 35% da população do país.
A esse número alarmante somam-se ainda os trabalhadores desalentados: jovens em idade ativa economicamente sem perspectiva de inserção no mercado de trabalho, idosos forçados a seguir trabalhando informalmente e milhões de mulheres empurradas para o trabalho doméstico não remunerado. Ao excluir essas pessoas do cálculo, o número real do desemprego é mascarado, subnotificado deliberadamente.

O trabalho formal e sua destruição total:

Por meio da institucionalização da precarização do trabalho o velho Estado quer vender a ilusão de que os trabalhdores agora são empresários com o objetivo de acabar com todas os direitos e garantias trabalhistas e previdenciários, aprofundando a aplicação das suas “reformas” anti-povo. Não é à toa que já buscam uma adequação e institucionalização da pejotização sem limites e regras, retirando-a da justiça do trabalho e tentando transferi-la para a justiça comum.
Enquanto os números são maquiados, o mercado formal dá sinais claros de colapso. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que julho de 2025 registrou o pior saldo de empregos formais desde 2020. A queda contínua na criação de vagas evidencia o esgotamento de um modelo econômico baseado no rentismo da grande burguesia financeira e no latifúndio submetidos ao imperialismo, principalmente ianque (Estados Unidos).
O principal instrumento desse ataque ao emprego é a política criminosa de juros altos imposta pelo Banco Central do Brasil. Com a taxa Selic mantida próxima de 15% ao ano o Banco Central aposta conscientemente no desemprego e no arrocho salarial como forma de controle inflacionário. Essa política estrangula o crédito produtivo, inibe investimentos e amplia demissões, enquanto garante lucros recordes aos bancos e rentistas.
O resultado aparece no cotidiano dos trabalhadores. Salários corroídos, consumo em queda e endividamento explosivo. O salário mínimo, hoje em torno de R$ 1.621,00 (hum mil e seiscentos e vinte e um reais) não cobre sequer o custo da cesta básica em diversas capitais, conforme estudos do Dieese que estabelece um salário-mínimo calculado em dezembro de 2025 em R$ 7.106,83 (sete mil, cento e seis reais e oitenta e três centavos).
Por esse motivo, milhões de famílias se endividam submetendo-se a juros extorsivos para sobreviver, recorrendo ao crédito rotativo e/ou empréstimos consignados, descontados diretamente na folha de pagamento do trabalhador ou aposentado.

“Uberização”: trabalho precário camuflado.

E é justamente nesse cenário de desemprego estrutural e avanço na informalidade forçada que cresce a chamada “uberização” do trabalho. Atualmente, existem cerca de 2,15 milhões de trabalhadores por aplicativo. Desse total, aproximadamente 1,7 milhão são motoristas de transporte de passageiros, como Uber, 99 e similares, e cerca de 455 mil são entregadores de comida e produtos, como iFood, Uber Moto, entre outros. Para se ter uma dimensão do golpe, a Uber cobra geralmente de 25% a 40% do valor de cada corrida e a 99 cobra de 15% a 30%, em contrapartida não garante nenhuma taxa de manutenção para o desgaste do veículo ou moto.
Esses trabalhadores superexplorados e precarizados são apresentados como “empreendedores”, mas na prática compõem um exército de mão de obra sem direitos, sem salário mínimo garantido, sem jornada definida e sem qualquer proteção social arcando sozinhos com custos, riscos, levados ao desgaste físico e mental para alcançarem “metas” estabelecidas por algorotismos projetados por empresas do capital imperialista.

Bolsa Família: o remendo que não garante nada

Mesmo diante desse cenário a grande burguesia, os latifundiários e demais ricaços seguem culpando o povo pobre pela crise, afirmando que “as pessoas não querem trabalhar porque vivem do Bolsa Família”. Essa narrativa repetida de várias formas tenta fazer com que o povo creia que é o culpado pela crise e não os usurpadores de todas as riquezas produzidas pelos trabalhadores.
Cerca de 48 milhões de pessoas recebam o benefício, o que corresponde aos integrantes de 18,84 milhões de famílias, já que necessariamente não precisa estar desempregado para recebê-lo, bastando ter renda per capita de até R$ 706 por pessoa. Esses dados são suficientes para demonstrar que o programa não cria o desemprego, pelo contrário ele tenta amenizar de forma insuficiente a carestia produzida por salários miseráveis e por um modelo econômico incapaz de garantir o sustento mínimo de uma família.

É a hora de unir todos os trabalhadores!

O discurso do baixo desemprego é uma tática ideológica usada para justificar juros abusivos, congelamento do salário mínimo, retirada de direitos e a precarização generalizada do trabalho. A subnotificação do desemprego não é erro técnico, mas uma ferramenta política/ideológica para camuflar a falência do velho Estado burocrático brasileiro, para seguir a grande derrama de nossas riquezas própria de um capitalismo burocrático cujas raízes estão no exterior controladas por grupos financeiros monopolistas.
Por esse motivo o brasileiro trabalha mais, ganha menos e vive endividado. O povo brasileiro produz muito e o problema não é “crescer o bolo para dividir”. O problema do país são os ricos, uma meia dúzia de magnatas usurpadores, que lucram com o fruto do trabalho no País!
E é contra essa política econômica injusta que devemos nos organizar, preparando de forma audaz uma grande Greve Geral de Resistência Nacional!

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*